O Pré Amp, festival que seleciona bandas para disputar uma vaguinha amiga no circuito do carnaval, além do prêmio final em dinheiro (nessa edição, R$15mil) para a gravação de um CD, já é prévia tradicional da ala do carnaval underground recifense.
Na última quinta-feira, as bandas Epcos, Ínsula, Love Toys, Feiticeiro Julião, Ska Maria Pastora e Glauco & o Trem entraram no ring. Entre Feiticeiro Julião, que pintou e bordou no palco, Ínsula, que tocou até Mamonas Assassinas, e Love Toys, que deixou muita gente tentando entender o seu estilo, quem levou a melhor e a classificação para a final foi o trem de Glauco, aliás, Glauco e o Trem. Como as bandas foram distribuídas por sorteio, não podemos culpar a produção por uma quinta-feira sem surpresas.
As bandas todas foram coadjuvantes, o público esperava, aflito, alguém com um pouco mais. Mais pimenta, mais delírio, mais voz. Quem chegou mais próximo disso foi o ousado Feiticeiro Julião. No entanto, na terceira música o público já previa todos os movimentos do artista e sua coreografia inovadora voltou a ser entediante. Acontece.
Na sexta, o festival foi mais feliz. As bandas eram melhores, a produção também acertou mais na organização – na noite anterior algumas bandas faziam sinais pedindo retorno para os técnicos de som – e o clima era de mais disputa. Até os jurados estavam com caras e caretas menos cansadas.
A primeira banda, Lulu Champagne, comandada pela hilária Mayara, ofereceu ao público risadas e uma inesperada empolgação. Apesar de estar abaixo do nível técnico da maioria, foi superior a muitas das bandas (se não a todas) da quinta no quesito autenticidade e interação com o público. A vocalista chegou com um copo de uísque, chamou um rapaz da platéia ao palco e ainda provocou “Faço isso em todo show, não é porque aqui é Pré Amp que vou deixar de fazer”. Pois é, Mayara. Estávamos mesmo esperando alguém que nos fizesse lembrar que estávamos em uma disputa, sim, mas ainda era um festival de música recifense e que o bom humor pernambucano é fundamental.
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| Lulu Champagne - Foto: Divulgação |
A Caravana do Delírio entrou no palco e foi a vez dos meninos. O vocalista, vestido apenas por uma toalha com estampa de zebra, é uma figura à parte. “E lá vem um bloco, com sua orquestra de metais para acabar com o meu silêncio, acabar com a minha paz. Será que a vida vale mesmo à pena? Eu me pergunto quando chega o carnaval”, entoou. A letra é, no mínimo, irônica, já que o Pré Amp faz parte do circuito recifense carnavalesco.
E as letras provocativas não acabam por aí. Após pegar um pêndulo e tentar hipnotizar os jurados, a banda cantarolava “Membros do juri, já entendi, minhas canções ficam melhores sem mim e aos jornalistas, peço perdão...”. Não deu outra. A banda tocou bem, cantou bem e teve uma presença de palco maravilhosa, sem necessariamente ficar apelativa. Ficou difícil para os próximos.
Cabelo de Serprente, Chacon (vocalista da banda Nós 4, que agora segue a vertente alternativa, fazendo algo muito parecido a um China iniciante), Moribundos e Combo Percussivo, que tem Gilmar Bola 8, da Nação Zumbi, como integrante - apesar de não trazer inovação, agradou o público. Os jurados escolheram A Caravana do Delírio para representar a noite.
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| Foxy Trio - Foto: Dmitri Ramus |
Hoje à noite a disputa segue. Voyer, Alzônio e a Camada, Foxy Trio, Zé Manoel, Diablo Motor e Bon Vivant vão brigar feio na noite mais disputada do festival. Atenção, pessoal, nós, o público, esperamos uma noite surpreendente.
Duda Ferraz


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